fevereiro 23, 2018




oxidised (24 x 36cm, oil on canvas) by samantha li


Durante a nossa vida acabamos por ser confrontados com diversas adversidades. Todos temos os nossos problemas, os nossos demónios. Procuramos sempre formas de criar mecanismos de defesas para os nossos medos e anseios, mas nunca chegamos realmente a ultrapassa-los. Utilizamos máscaras para que se tornem um pouco menos reais. Mascaramos as nossas inseguranças com o aparente estado de calma e uma preparação qualquer para todo o tipo de conteúdo sensível.  

A minha ansiedade surgiu desde que me lembro como pessoa, desde que comecei a ter consciência da minha existência. Não me lembro de não ser ansiosa, não me lembro de não ter medo das doenças ou de não ser interessada por elas, não me lembro de não ter ataques de pânico provenientes de variadas situações. Ao longo dos anos fui criando mecanismos para acalmar a ansiedade. Comecei por não ter tantas crises de pânico, no entanto, mudava consoante as fases que passava e a pressão, stress que elas continham. Aliás, os ataques de pânico deixaram de ser tão frequentes no meu dia-a-dia, porque comecei a ter mais consciência do meu corpo, do que acontecia realmente. Percebi o que acontecia biologicamente e deixei de afirmar que ia ter um ataque cardíaco ou outras doenças igualmente graves e fatais.
O que acontece realmente com o nosso corpo é que ativamos no nosso cérebro o medo ou um estado de alerta e isto faz com que determinadas hormonas (como a adrenalina) sejam libertadas no sangue pelas glândulas supra-renais. Isto em situações de perigo funciona perfeitamente, pois a adrenalina tem um propósito de defesa e de criar um estado de alerta no nosso corpo. Já para uma atividade de stress do dia-a-dia torna-se cansativo o corpo criar esse estado consecutivamente.

A sensação de ataque cardíaco descrita pela maior parte das pessoas que sofrem de ansiedade é muito real. São momentos em que as mensagens que chegam ao nosso cérebro são muito próximas da morte. Por exemplo, começar por ter ritmo cardíaco acelerado, dificuldade em respirar, tonturas, vertigens, sudação, dor no peito, formigueiros, dor no braço esquerdo, dor de cabeça, tremores, sensação de irrealidade, medo de ficar maluco, náuseas e calafrios. São muitos os sintomas e já senti praticamente todos em diferentes crises de ansiedade. Estes sintomas são associados a várias doenças, mas no momento em que decorre o ataque de ansiedade as pessoas têm por hábito vivenciarem a ideia de ataque cardíaco.
A partir do momento que conhecemos o nosso corpo, sabemos quando começamos a ter um ataque de pânico e a fazer força para o cérebro relaxar. Relembrar que não é um ataque cardíaco e sim um ataque de pânico. Vai passar muito brevemente e é possível controlar ou impedir que chegue ao pico máximo da crise.
Quando comecei a conhecer um pouco melhor o meu corpo, deixei de sentir estes sintomas todos em simultâneo. Aliás, quando sinto o meu corpo a fraquejar, tento mandar sinais ao meu cérebro que vai ficar tudo bem. Muitas vezes é difícil isso acontecer até porque a razão da ansiedade pode ser muito forte e ser complicada de contornar.

A minha ansiedade limita a minha vida e o que acontece é que nem sempre é fácil controlar o nosso cérebro. Há dias em que ele parece insistir no mesmo drama e cria toda uma cadeia de dolorosas palpitações e sensações estranhas. Quando um ataque de ansiedade está para acontecer há uma arma essencial para a sua prevenção: a respiração.
Não há nada mais importante do que ter controlo na nossa respiração, saber como utilizá-la e estar principalmente atento a ela. Prestar atenção quando inspiramos e expiramos faz com que em primeiro lugar, tenhamos a noção da sua existência; segundo, concentramos a nossa atenção apenas na respiração ao ponto de conseguir distrair o nosso cérebro de qualquer tipo de explosão de stress, adrenalina ou ansiedade. É verdade que não é fácil prestar atenção à respiração quando estamos com mil pensamentos na nossa cabeça prestes a desencadear um ataque, mas é possível com muita força de vontade, treino e concentração.



A ansiedade tornou-se um acontecimento na maior parte dos millenials, numa sociedade acelerada e com obrigações difíceis de realizar. Mas é importante falar dela. Está presente e deve ser combatida. O combate da ansiedade deve ser uma espécie de ensino anatómico e psicológico, incluindo todos os jovens a perceberem o seu corpo sem ficarem sujeitos a uma indústria farmacêutica (sem tirar o seu valor e importância). A medicina convencional deve aplicar as suas medidas de prevenção e aplicação, no entanto, há uma parte muito importante a ser introduzida: como funciona o nosso cérebro e como controlá-lo. Somos nós que controlamos o nosso cérebro. É esse o maior segredo. 

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